segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Carta aberta para Caio Júnior


Prezado Caio Júnior, não nos conhecemos pessoalmente mas venho acompanhando seu trabalho desde que assumiu o Botafogo, ainda no primeiro semestre de 2011.

Confesso que nunca me entusiasmei com sua contratação e fui bem implicante ao longo de todo esse período. É das fraquezas humanas e peço que me desculpe. A meu favor quero dizer que não é nada pessoal.

Quanto ao lado profissional, aí sim tenho inúmeras ressalvas. Peço que me compreenda, afinal de contas minha relação com o Botafogo é bem mais antiga. São 31 anos de cumplicidade e camaradagem, na alegria e na tristeza. Com certeza você entende que não é fácil ver uma outra pessoa chegar e tomar conta de tudo, sem oferecer nada em troca.

E no seu caso, meu caro Caio Júnior, realmente não há muito que você tenha oferecido até aqui e, para me justificar e fazer com que você acompanhe meu raciocínio, faço questão de compartilhar o meu drama. Afinal de contas, fica sempre mais fácil criar empatia e assim resolver os problemas.

Sob seu comando, mesmo que por poucas partidas, fomos eliminados da Taça Rio. Conseguimos ficar em quinto colocado em um campeonato que só 4 equipes disputam. Sei que você ainda não estava ambientado, que estava promovendo mudanças, mas mesmo assim é difícil de aceitar. Mas aceitei e seguimos em frente.

Já na Copa do Brasil, e nesse caso os resultados anteriores não fazem diferença pois se tratam de partidas eliminatórias, o famoso mata-mata, novamente uma eliminação, digníssimo Cario Júnior. O algoz foi o Avaí, esse mesmo time que passou o Brasileirão entre a 20ª e a 17ª posição praticamente. O mesmo Avaí que ano que vem disputará a série B, excelentíssimo Caio Júnior.

O discurso de mudança ainda teve efeito e seguimos em frente rumo a um segundo semestre de vitórias, conquistas e, acima de tudo, bom futebol.

Antes de entrar no capítulo Campeonato Brasileiro, querido Caio Júnior, faço questão de dar a você a oportunidade de explicar a estratégia adotada na Copa Sul-Americana. Poupar os principais jogadores do time na primeira partida realizada aqui no Rio de Janeiro, sinceramente não faz sentido pra mim. Mas por favor me perdoe. Afinal de contas, eu não sou Doutor em Futebol. Sou apenas um torcedor, um mero “popular”que paga ingresso e fica sem voz torcendo pelo seu time. Aquele mesmo time da relação de 31 anos a que me referi no início dessa carta. Mas… voltando a minha ignorância com relação a estratégias futebolísticas, queria entender se não era mais fácil tentar fazer um bom resultado no primeiro jogo e depois, aí sim, poupar os titulares da viagem, da altitude e do desgaste de tentar virar um resultado.
Sem contar que poderíamos ter poupado a imagem do clube internacionalmente, ou quem sabe, até melhorá-la.
Novamente peço perdão por minha intromissão e falta de visão e espero, sinceramente, que você possa em algum momento dar algumas pistas do seu iluminado raciocínio. Afinal, como eu disse, sou só um curioso que tenta entender e aprender com os mestres do futebol sobre os macetes, técnicas e malícias do famoso esporte bretão.

Mas é hora de seguir em frente e chegar ao tão comentado Campeonato Brasileiro. É verdade que estamos ao longo da disputa lutando pelas primeiras posições. Figuramos entre os 6 primeiro durante boa parte do torneio e fico feliz com essa situação.

É verdade também, fantástico Caio Júnior, que venho reclamando da postura da equipe, das suas escalações, das suas substituições e peço sua saída desde o início do campeonato. Por favor me entenda, imagino a dificuldade em sustentar sua família com o salário que lhe pagam aqui no Brasil e sua demissão certamente traria inúmeras dificuldades aos seus entes queridos, mas realmente é mais forte que eu.

Também é claro que o Botafogo em momento algum no campeonato convenceu. Algumas boas partidas a partir da vitória contra o Vasco e foram até o primeiro tempo contra o São Paulo. Esse foi o período em que o Botafogo parecia que iria se firmar, mas não aconteceu.

Você, genial Caio Júnior, gosta de frisar, sempre nas derrotas, que o time teve grande posse de bola, organização e tudo mais. Porém, brilhante Caio Júnior, de que adianta posse de bola se há incapacidade de transformá-la em gol ou pelo menos em chances de gol.

Na última partida contra o Figueirense eu estava lá, assim como em diversas outras partidas. Vi um time sem força, distante, sem saber o que fazia com a bola que tinha nos pés e sem criatividade, como na maioria das oportunidades que pude assistir ao seu Botafogo. Nesse caso, só o seu, não o meu.

Após a derrota, professor Caio Júnior, você veio dizer que no Brasil não se discute a tática e que só se preza o resultado. Talvez você tenha razão, mas a verdade, estrategista Caio Júnior, é que futebol é resultado sim. Isso não é uma novidade, mas talvez você ainda não saiba.

Aliás, vale lembrar que o próprio Botafogo – o meu Botafogo, talvez não o seu, pois se fosse você certamente saberia – perdeu 3 finais do campeonato estadual para o Flamengo jogando, quase sempre, melhor. Dando show, em alguns momentos. Mas somente com a chegada do seu antecessor, o retranqueiro Joel Santana, conseguimos ser campeões. Ele jogou pelo resultado e conseguiu.

Mas isso você também não deve saber. A única coisa que você parece saber bem, estudioso Caio Júnior, é que o Botafogo não vence o Brasileiro há 16 anos. Eu também sei disso e toda a torcida. Então, não entendo o motivo para que você fique lembrando disso a cada entrevista, a cada derrota, como se jogasse na minha e na cara de cada torcedor alvinegro que a “sua” campanha é a melhor nesse período. Como se por isso devêssemos erguer uma estátua em sua homenagem e agradecer eternamente por você ter se dado ao trabalho de abandonar o estilo de vida e o excelente futebol do Qatar para nos fazer esse imenso favor de treinar o Botafogo.

Então, iludido Caio Júnior, faço questão de te contar algumas coisas que talvez você também não saiba. Mas isso não é novidade, afinal de contas você não sabe de tudo. Quem poderia?

Vou ajudar contanto pra você que o seu time não joga bem. Algumas poucas partidas boas, muitas ruins e outras tantas desastrosas. Posso lembrar a você que a vitória contra o Grêmio no Olímpico foi uma das piores partidas do Botafogo, mas vencemos! Nesse caso você abriu mão da vitória pelo fato do Grêmio ter tido maior volume de jogo, maior posse de bola? Pois é, assim funciona o futebol.
Teve empate também horroroso, como contra o Bahia e o Atlético-GO, ambos no Rio de Janeiro, lembra?
E as derrotas humilhantes para Atlético-GO tomando 2 gols com 10 minutos de jogo? E aquele sacode do Coritiba de 5? Repare que não citei clubes grandes.

Ah… talvez a torcida vá discordar, mas a vitória contra o Corinthians foi a vitória de um time pequeno que fez 2 gols em contra-ataques no primeiro tempo e se encolheu covardemente se salvando pela má pontaria e garra da defesa. Não vi o brilhantismo do nosso treinador fazendo o time manter a posse de bola, tocando com calma, segurando o jogo no ataque… não vi nada disso. Mais uma vez entregamos os pontos ao adversário? Não. Aceitamos a vitória, o futebol de resultados.

E nas derrotas, esquecido Caio Júnior? Aí lembramos que o futebol é mais que o gol, mais que a vitória, que há tática e estratégia envolvidos, certo?

Indeciso Caio Júnior, tem mais coisas que talvez você não saiba. Coisas como não se modificar uma equipe por medo de perder contra um time pequeno. Coisas como passar confiança para os jogadores e torcida, deixando claro a equipe que julga a melhor, a titular. Mesmo que haja alguma dúvida, ela deve ser sua, só sua, e não ser dada de bandeja para os adversários.

Time que quer ser campeão está definido sempre. Altera-se na necessidade de uma lesão ou suspensão e acabou. Não existe essa de adaptar time de acordo com o adversário. O adversário que se vire para se adaptar ao Botafogo.

E quando se joga em casa pela liderança do campeonato contra um time pequeno? Pequeno sim. Não me venham aqui dizer da campanha do Figueirense, do Jorginho e de mais outra besteira qualquer. Figueirense é time pequeno e deve ser colocado no seu lugar. Ao Botafogo cabia se comportar como time grande que é e candidato ao título. Pegar seu time titular (Jeff, Lucas, A.Carlos, F.Ferreira, Cortês, M.Mattos, Renato, Elkesson, Maicosuel, Herrera e Loco) colocar em campo e se impor.

Mas não foi isso que aconteceu, fantástico Caio Júnior,  Botafogo tremeu, modificou a escalação para enfrentar o temido Figueirense e deu toda moral do mundo aos adversários que entraram em campo, meteram o gol e jogaram tranquilamente o restante da partida esperando o tempo passar. Ainda se deram ao luxo de driblar nosso goleiro e chutar pra fora. Aliás, as chances reais de gols foram somente deles.

Estou chegando ao final dessa carta, amigo Caio Júnior, acreditando realmente que possa ter auxiliado de alguma forma e que você me veja como alguém que quer o bem do seu Botafogo, que nesse caso seria o meu também.

Faltam poucas rodadas para o final do campeonato e tudo que peço são atuações dignas do Botafogo. Vitórias, derrotas, empates, resultados são sim importantes, como frisei. Mas já vi uma Maracanã lotado aplaudir um time que perdeu um título em casa por não conseguir fazer um único gol. Os aplausos não foram para o resultado obviamente. Foram para o time, a entrega, a tática ou mesmo a falta dela, em busca da vitória e da honra para o clube e sua torcida.

Talvez você saiba disso, talvez não. É só mais um dado histórico do time que você está treinando atualmente e que, na maioria das vezes, tenho quase certeza que você confunde com um outro clube qualquer do Qatar.

7 comentários:

  1. Mandou muito, parabéns.

    http://alvinegroglorioso.blogspot.com

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  2. parabéns amigo!!!

    assino embaixo de suas palavras!!!

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  3. POHA QUE INVEJA MEU AMIGO, QUERIA PODER DIZER ISTO PARA ELE DIRETAMENTE, PARABENS E VAMOS EM FRENTE QUE NÃO VAI SER UM MIERDA DESTE QUE ACABARA COM NOSSA PAIXÃO, ACHO QUE DÁ AINDA ELE AGORA ESTA PRESSIONADO E NÃO INVENTARA MAIS POHA NENHUMA, SAUDAÇÕES ALVINEGRAS.

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  4. Valeu pelos comentários, galera!
    De qualquer forma temos que continuar fazendo nossa parte. Domingo todo mundo no Engenhão!
    Vamo em frente!

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