Prezado Caio Júnior, não nos
conhecemos pessoalmente mas venho acompanhando seu trabalho desde que assumiu o
Botafogo, ainda no primeiro semestre de 2011.
Confesso que nunca me entusiasmei
com sua contratação e fui bem implicante ao longo de todo esse período. É das
fraquezas humanas e peço que me desculpe. A meu favor quero dizer que não é
nada pessoal.
Quanto ao lado profissional, aí sim
tenho inúmeras ressalvas. Peço que me compreenda, afinal de contas minha
relação com o Botafogo é bem mais antiga. São 31 anos de cumplicidade e
camaradagem, na alegria e na tristeza. Com certeza você entende que não é fácil
ver uma outra pessoa chegar e tomar conta de tudo, sem oferecer nada em troca.
E no seu caso, meu caro Caio Júnior,
realmente não há muito que você tenha oferecido até aqui e, para me justificar
e fazer com que você acompanhe meu raciocínio, faço questão de compartilhar o
meu drama. Afinal de contas, fica sempre mais fácil criar empatia e assim
resolver os problemas.
Sob seu comando, mesmo que por
poucas partidas, fomos eliminados da Taça Rio. Conseguimos ficar em quinto
colocado em um campeonato que só 4 equipes disputam. Sei que você ainda não
estava ambientado, que estava promovendo mudanças, mas mesmo assim é difícil de
aceitar. Mas aceitei e seguimos em frente.
Já na Copa do Brasil, e nesse caso
os resultados anteriores não fazem diferença pois se tratam de partidas
eliminatórias, o famoso mata-mata, novamente uma eliminação, digníssimo Cario
Júnior. O algoz foi o Avaí, esse mesmo time que passou o Brasileirão entre a 20ª
e a 17ª posição praticamente. O mesmo Avaí que ano que vem disputará a série B,
excelentíssimo Caio Júnior.
O discurso de mudança ainda teve
efeito e seguimos em frente rumo a um segundo semestre de vitórias, conquistas
e, acima de tudo, bom futebol.
Antes de entrar no capítulo
Campeonato Brasileiro, querido Caio Júnior, faço questão de dar a você a
oportunidade de explicar a estratégia adotada na Copa Sul-Americana. Poupar os
principais jogadores do time na primeira partida realizada aqui no Rio de
Janeiro, sinceramente não faz sentido pra mim. Mas por favor me perdoe. Afinal
de contas, eu não sou Doutor em Futebol. Sou apenas um torcedor, um mero “popular”que
paga ingresso e fica sem voz torcendo pelo seu time. Aquele mesmo time da
relação de 31 anos a que me referi no início dessa carta. Mas… voltando a minha
ignorância com relação a estratégias futebolísticas, queria entender se não era
mais fácil tentar fazer um bom resultado no primeiro jogo e depois, aí sim,
poupar os titulares da viagem, da altitude e do desgaste de tentar virar um
resultado.
Sem contar que poderíamos ter
poupado a imagem do clube internacionalmente, ou quem sabe, até melhorá-la.
Novamente peço perdão por minha
intromissão e falta de visão e espero, sinceramente, que você possa em algum
momento dar algumas pistas do seu iluminado raciocínio. Afinal, como eu disse,
sou só um curioso que tenta entender e aprender com os mestres do futebol sobre
os macetes, técnicas e malícias do famoso esporte bretão.
Mas é hora de seguir em frente e
chegar ao tão comentado Campeonato Brasileiro. É verdade que estamos ao longo
da disputa lutando pelas primeiras posições. Figuramos entre os 6 primeiro
durante boa parte do torneio e fico feliz com essa situação.
É verdade também, fantástico Caio
Júnior, que venho reclamando da postura da equipe, das suas escalações, das
suas substituições e peço sua saída desde o início do campeonato. Por favor me
entenda, imagino a dificuldade em sustentar sua família com o salário que lhe
pagam aqui no Brasil e sua demissão certamente traria inúmeras dificuldades aos
seus entes queridos, mas realmente é mais forte que eu.
Também é claro que o Botafogo em
momento algum no campeonato convenceu. Algumas boas partidas a partir da
vitória contra o Vasco e foram até o primeiro tempo contra o São Paulo. Esse
foi o período em que o Botafogo parecia que iria se firmar, mas não aconteceu.
Você, genial Caio Júnior, gosta de
frisar, sempre nas derrotas, que o time teve grande posse de bola, organização e
tudo mais. Porém, brilhante Caio Júnior, de que adianta posse de bola se há
incapacidade de transformá-la em gol ou pelo menos em chances de gol.
Na última partida contra o
Figueirense eu estava lá, assim como em diversas outras partidas. Vi um time
sem força, distante, sem saber o que fazia com a bola que tinha nos pés e sem
criatividade, como na maioria das oportunidades que pude assistir ao seu
Botafogo. Nesse caso, só o seu, não o meu.
Após a derrota, professor Caio
Júnior, você veio dizer que no Brasil não se discute a tática e que só se preza
o resultado. Talvez você tenha razão, mas a verdade, estrategista Caio Júnior,
é que futebol é resultado sim. Isso não é uma novidade, mas talvez você ainda
não saiba.
Aliás, vale lembrar que o próprio
Botafogo – o meu Botafogo, talvez não o seu, pois se fosse você certamente
saberia – perdeu 3 finais do campeonato estadual para o Flamengo jogando, quase
sempre, melhor. Dando show, em alguns momentos. Mas somente com a chegada do
seu antecessor, o retranqueiro Joel Santana, conseguimos ser campeões. Ele
jogou pelo resultado e conseguiu.
Mas isso você também não deve saber.
A única coisa que você parece saber bem, estudioso Caio Júnior, é que o
Botafogo não vence o Brasileiro há 16 anos. Eu também sei disso e toda a
torcida. Então, não entendo o motivo para que você fique lembrando disso a cada
entrevista, a cada derrota, como se jogasse na minha e na cara de cada torcedor
alvinegro que a “sua” campanha é a melhor nesse período. Como se por isso devêssemos
erguer uma estátua em sua homenagem e agradecer eternamente por você ter se
dado ao trabalho de abandonar o estilo de vida e o excelente futebol do Qatar
para nos fazer esse imenso favor de treinar o Botafogo.
Então, iludido Caio Júnior, faço
questão de te contar algumas coisas que talvez você também não saiba. Mas isso
não é novidade, afinal de contas você não sabe de tudo. Quem poderia?
Vou ajudar contanto pra você que o
seu time não joga bem. Algumas poucas partidas boas, muitas ruins e outras
tantas desastrosas. Posso lembrar a você que a vitória contra o Grêmio no
Olímpico foi uma das piores partidas do Botafogo, mas vencemos! Nesse caso você
abriu mão da vitória pelo fato do Grêmio ter tido maior volume de jogo, maior
posse de bola? Pois é, assim funciona o futebol.
Teve empate também horroroso, como
contra o Bahia e o Atlético-GO, ambos no Rio de Janeiro, lembra?
E as derrotas humilhantes para
Atlético-GO tomando 2 gols com 10 minutos de jogo? E aquele sacode do Coritiba
de 5? Repare que não citei clubes grandes.
Ah… talvez a torcida vá discordar,
mas a vitória contra o Corinthians foi a vitória de um time pequeno que fez 2
gols em contra-ataques no primeiro tempo e se encolheu covardemente se salvando
pela má pontaria e garra da defesa. Não vi o brilhantismo do nosso treinador
fazendo o time manter a posse de bola, tocando com calma, segurando o jogo no
ataque… não vi nada disso. Mais uma vez entregamos os pontos ao adversário?
Não. Aceitamos a vitória, o futebol de resultados.
E nas derrotas, esquecido Caio
Júnior? Aí lembramos que o futebol é mais que o gol, mais que a vitória, que há
tática e estratégia envolvidos, certo?
Indeciso Caio Júnior, tem mais
coisas que talvez você não saiba. Coisas como não se modificar uma equipe por
medo de perder contra um time pequeno. Coisas como passar confiança para os
jogadores e torcida, deixando claro a equipe que julga a melhor, a titular. Mesmo
que haja alguma dúvida, ela deve ser sua, só sua, e não ser dada de bandeja
para os adversários.
Time que quer ser campeão está
definido sempre. Altera-se na necessidade de uma lesão ou suspensão e acabou.
Não existe essa de adaptar time de acordo com o adversário. O adversário que se
vire para se adaptar ao Botafogo.
E quando se joga em casa pela
liderança do campeonato contra um time pequeno? Pequeno sim. Não me venham aqui
dizer da campanha do Figueirense, do Jorginho e de mais outra besteira
qualquer. Figueirense é time pequeno e deve ser colocado no seu lugar. Ao
Botafogo cabia se comportar como time grande que é e candidato ao título. Pegar
seu time titular (Jeff, Lucas, A.Carlos, F.Ferreira, Cortês, M.Mattos, Renato,
Elkesson, Maicosuel, Herrera e Loco) colocar em campo e se impor.
Mas não foi isso que aconteceu,
fantástico Caio Júnior, Botafogo tremeu,
modificou a escalação para enfrentar o temido Figueirense e deu toda moral do
mundo aos adversários que entraram em campo, meteram o gol e jogaram
tranquilamente o restante da partida esperando o tempo passar. Ainda se deram
ao luxo de driblar nosso goleiro e chutar pra fora. Aliás, as chances reais de
gols foram somente deles.
Estou chegando ao final dessa carta,
amigo Caio Júnior, acreditando realmente que possa ter auxiliado de alguma
forma e que você me veja como alguém que quer o bem do seu Botafogo, que nesse
caso seria o meu também.
Faltam poucas rodadas para o final
do campeonato e tudo que peço são atuações dignas do Botafogo. Vitórias,
derrotas, empates, resultados são sim importantes, como frisei. Mas já vi uma
Maracanã lotado aplaudir um time que perdeu um título em casa por não conseguir
fazer um único gol. Os aplausos não foram para o resultado obviamente. Foram
para o time, a entrega, a tática ou mesmo a falta dela, em busca da vitória e
da honra para o clube e sua torcida.
Talvez você saiba disso, talvez não.
É só mais um dado histórico do time que você está treinando atualmente e que,
na maioria das vezes, tenho quase certeza que você confunde com um outro clube qualquer
do Qatar.
Maravilhoso!
ResponderExcluirMandou muito, parabéns.
ResponderExcluirhttp://alvinegroglorioso.blogspot.com
parabéns amigo!!!
ResponderExcluirassino embaixo de suas palavras!!!
Muito bom!!
ResponderExcluirFalou tudo cara! Muito bom.
ResponderExcluirPOHA QUE INVEJA MEU AMIGO, QUERIA PODER DIZER ISTO PARA ELE DIRETAMENTE, PARABENS E VAMOS EM FRENTE QUE NÃO VAI SER UM MIERDA DESTE QUE ACABARA COM NOSSA PAIXÃO, ACHO QUE DÁ AINDA ELE AGORA ESTA PRESSIONADO E NÃO INVENTARA MAIS POHA NENHUMA, SAUDAÇÕES ALVINEGRAS.
ResponderExcluirValeu pelos comentários, galera!
ResponderExcluirDe qualquer forma temos que continuar fazendo nossa parte. Domingo todo mundo no Engenhão!
Vamo em frente!