Na derrota para o Figueirense, Caio
Júnior falou entre outras besteiras que aqui no Brasil não se discute tática,
mas apenas o resultado.
Não quero entrar em discussões sobre
isso, mas me proponho e esquecer o resultado do jogo contra o Vasco e analisar
somente o sistema tático adotado pelo Botafogo. Aliás, não só a tática, como a
estratégia e outras questões.
Antes da partida contra o Vasco,
conversava com meu pai sobre a forma do Botafogo atuar. Na minha cabeça,
deveríamos entrar em campo sem afobação, sem sair desesperados para fazer o
gol, pois imaginava que o Vasco estaria justamente esperando isso. Não é que o
empate fosse bom resultado para o Vasco, mas considerando as circunstâncias,
era óbvio que o Botafogo jogava mais pressionado.
Perdemos em casa para o Figueirense,
perdemos posição para Flu e o próprio Figueirense, nossas últimas atuações não
eram boas enquanto o Vasco vinha de uma bela goleada com classificação pouco
provável na Sul-Americana, além de que um empate ou mesmo a derrota não seria o
fim do campeonato para os vascaínos.
Com esse raciocínio, como treinador
do Vasco, pensaria no time bem colocado atrás, fechando o meio e partindo no
contra-ataque.
Como técnico do Botafogo, eu
imaginaria que o Vasco viria dessa forma e por isso mesmo faria diferente.
Colocaria também o Botafogo um pouco mais atrás, tocando a bola e só saindo na
boa, fazendo com que o Vasco se sentisse confiante para sair um pouco mais, principalmente
no segundo tempo.
Considerando que já saberíamos o
resultado do jogo entre Corinthians e Atlético-PR, e que provavelmente seria
uma vitória paulista como de fato aconteceu, o Vasco em algum momento partiria
para tentar a vitória. Principalmente com o Botafogo sendo “inofensivo” no
primeiro tempo.
Mas tudo isso fui eu que pensei.
Nosso treinador, esse sim pago pra pensar em estratégias de jogo, fez
exatamente o que eu, o Vasco e todo mundo imaginou. Mandou o Botafogo partir
com tudo pra cima do adversário.
De fato tivemos alguma chance de gol
nos primeiro minutos, mas o Vasco rapidamente encaixou os contra-ataques e em
pouco tempo abriu o placar num gol com cara de final de jogo, já que a defesa
estava abandonada, com o time todo na frente.
A partir daí foi um desastre completo.
O Botafogo cedia contra-ataques sem atacar. Tocava a bola de um lado para o
outro entre os zagueiros, com os demais jogadores sendo muito bem marcados e
sem nenhuma alternativa pra saída de bola. Nesse esquema cedemos a jogada que
resultou no pênalti e outras oportunidades para que o Vasco ampliasse o placar.
O segundo tempo ficou na mesma e
assim foi até o final. Não demos seque um chute a gol. Não assustamos em nenhum
momento o time do Vasco e até com um jogador do Vasco expulso eles foram
melhores.
Falando de tática, vejo uma coisa
clara no time do Botafogo e que persiste desde o início do campeonato. Os
jogadores se posicionam muito distantes um dos outros e forma uma linha
ofensiva que não faz sentido na minha cabeça. Caio Júnior criou um sistema 5-1-4
revolucionário e pouquíssimo inteligente.
Marcelo Mattos joga quase como um
terceiro zagueiro com F.Ferreira e A.Carlos, além dos laterais. No meio, Renato
sozinho tenta distribuir o jogo para Maicosuel, Herrera e Elkeson, que jogam colados a linha lateral.
Loco isolado na frente nada pode fazer.
Esse posicionamento na linha lateral
faz com que os jogadores recebam a bola sempre pressionados entre a marcação e
a própria linha lateral. Facilita a marcação de mais, e no jogo contra o Vasco
ficou evidente.
Além disso, cria-se uma distância
enorme do time para o gol. Uma distância enorme e faz com que o Loco fique
isolado na área e a gente além de não ter força ofensiva, perca também todos os
rebotes.
Loco Abreu não é um jogador de
segurar a bola. Ele não protege bem e não tem o mínimo de habilidade para
driblar um zagueiro. O jogo dele é ajeitar pra quem chega ou dominar e concluir
direto. Se não tem pra quem ele ajeitar, justamente por causa da distância para
os companheiros, como fazer pra concluir, se também acaba recebendo muito de
costas pro gol? Essa é uma explicação pra falta de finalizações alvinegras.
Vale lembrar como jogava o Botafogo
em 2010. Muitas bolas no alto para finalização do próprio Loco ou de outros
jogadores que encostavam. Foi assim que o Caio apareceu e fez muitos gols,
lembram?
Pois então é disso que estou
falando. De tática. O sistema tático do Botafogo abre o meio de campo e não nos
dá força ofensiva. Fica difícil explicar sem um desenho, mas em breve vou começar
a ilustrar essas besteiras que eu falo aqui.
Queria ver aproximação entre os
jogadores, para que surjam tabelas, triangulações e ultrapassagens dos
laterais. No sistema atual, é praticamente impossível isso acontecer. Sem
contar na falta de jogadas ensaiadas.
Nas cobranças de bola parada,
geralmente com Renato, também não criamos nenhum perigo aos adversários. Nem
nas diretas e nem nas levantadas pra área. Falta de treinamento, de orientação?
Não sei, mas isso não é de hoje e não
vejo melhorias. Falta de trabalho, com certeza.
Pronto, Caio Júnior. Não falei de
resultado. Falei de tática, de estratégia, de raciocínio e de treinamento. Se
quiser conversar mais sobre o assunto, tamos aí.
Vamos ver como o time se comporta
hoje contra o América-MG. Na minha opinião, deveríamos ficar quietinhos lá
atrás e deixar que o desespero comece a bater nos caras. Eles são rápidos e
estão embalados. Se quiser partir pra cima, vamos tomar. Fica a dica.
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